• Luiz Argollo

Encontro com o Criador




"Muitos seres humanos se consideram únicos, não se importam muito com seus semelhantes porque não acreditam em Deus e em seus ensinamentos. Não acreditam que a vida por aqui depende a atuação e do respeito às leis e principalmente, da ajuda que é possível proporcionar uns aos outros...”.

Durante parte significativa de minha existência, me achava acima de todas as coisas, duvidava de tudo e todos e jamais tive coragem de admitir que existia um Ser Superior que nos guiasse e proporcionasse os bens necessários ao nosso crescimento e desenvolvimento.

Sem concordar, ouvia, incessantemente, que a Terra era um receptáculo para desenvolvimento humano de nível primário e que, os seres que aqui tinham sido colocados, estariam vivendo um aprendizado permanente, no sentido que tomassem consciência de seus deveres e responsabilidades e, quem sabe, se candidatassem a serem pessoas melhores, mais esclarecidas, evoluídas.

Desdenhando todo essa programação, em tempos de tranquilidade e fartura, conduzia minha vida ao meu bel prazer, achando que eu era o verdadeiro e único dono do meu mundo e que ninguém, absolutamente ninguém, pudesse interferir nas minhas ações ou determinar o curso da minha tão movimentada e prolixa vida.

Os tempos iam passando celeremente e minhas convicções acabaram ficando impregnadas na minha pele, a tal ponto de que seria praticamente impossível eu me render às evidências do mundo em que vivia, para mudar minhas ‘certezas’ e provocar uma verdadeira revolução dentro de mim.

Alguém escreveu, com letras enormes, que nada como um dia após o outro. Nunca dei a menor importância a essa inscrição que parecia vaticinar alguns momentos que começaria a viver num futuro próximo.

Um dia, comecei a perceber um período tenebroso, sob a égide do medo das pessoas, por conta de uma Pandemia que se abateu sobre o Universo. Infectados e mortos aos milhares no mundo todo e uma procura desenfreada pela cura movimentando centenas de milhares de pesquisadores e cientistas.

Seus desdobramentos eram divulgados como terríveis e, eu, sem prestar atenção, fiquei completamente distante, sequer acreditando que aquilo era verdade e poderia me atingir.

Sentindo-me poderoso e inconsequente, não obedeci as prévias recomendações feitas e continuei minha vida sem os cuidados adequados. Fiz tudo que achava que tinha direito, abusei de tudo que diziam não ser adequado e, como consequência, acabei fragilizado numa cama de um hospital de campanha, convivendo com dezenas de infectados.

Lá, eu tive a oportunidade de ver e viver o tamanho de minha insensatez. Corredores apinhados de doentes que, como todos que lá estavam, queriam desesperadamente ser curados e saírem correndo daquele lugar.

Visualizei muitas equipes médicas se desdobrando para atender a todos, estando expostos a serem infectados, vivendo o risco de levarem resíduos para seus entes queridos e afins.

Naquele momento crucial para muitos, eu percebi o quanto tinha sido tolo, prepotente, inconsequente e insano. Mas não havia tempo para reflexões, era necessário que eu me ajudasse a expelir o vírus que se instalara no meu corpo sem pedir licença, para que eu me curasse e voltasse à convivência com meus familiares e amigos.

Muitos dias se passaram, muitas febres, remédios e dores intensas devolveram minha humildade e bom senso. Mas, foi naqueles momentos de tensão pela possibilidade de morrer, que eu percebi que deve, sim, ter um Ser Superior em algum lugar que olha, protege e cuida de todos nós.

Não me cansei de ver muitos que estavam comigo serem levados para sepultamentos, eu mesmo passei perto e, diante disso, devo reconhecer minha ignorância às Leis Divinas e devo Agradecer imensamente pela nova oportunidade que me foi oferecida, espero ser digno dela.

Pela experiência vivida, quero transmitir aos que duvidam da existência de um Deus, não importando o nome, formato ou crença. Tenho certeza que sabemos muito pouco ou quase nada sobre Ele e, na verdade, necessitamos conhecer seus atributos, ampliando nossos horizontes para que mereçamos, de fato, sermos considerados seus filhos.


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