• Luiz Argollo

Superdotados Abandonados



(Alerta para educadores e o sistema nacional de ensino...)

Qualificado como Conselheiro Tutelar e atuando num município, tinha total ciência do papel a desempenhar, ou seja, garantir a proteção de crianças e adolescentes e suas famílias em sua área de atuação.

Um dia, recebe telefonema de uma diretora de escola, sua amiga, reivindicando sua presença urgente nas dependências da escola para resolver um problema sério de um aluno – então no primeiro ano do Ensino Fundamental – com pouco mais de seis anos de idade.

Pelo relato da diretora, foi possível avaliar que não havia necessidade da presença física na escola, mesmo porque, lá havia profissionais qualificados para resolver a questão, que era muito simples e de fácil resolução.

Diante da insistência da diretora, foram feitas outras perguntas de praxe para compreender o que realmente se passava e ela respondia de forma evasiva. Para não perder tempo, o Conselheiro solicita que ela envie o garoto e sua mãe, que estava presente na escola naquele momento, até à sede do Conselho para uma conversa.

Em pouco tempo, surge a mãe e o garoto e ela, particularmente irritada por ter que comparecer perante um Conselheiro Tutelar. Como norma, o Conselheiro teria que conversar primeiro com o garoto e tentar saber o que ocorria na escola, enquanto isso, sua mãe descontrolada, tentava desautoriza-lo, dizendo que o garoto só falaria algo se ela estivesse junto. Foi convencida de que o primeiro a falar seria o aluno e, depois, concluiria a conversa com os dois. Ela finalmente concordou.

A mãe aguardou na recepção, enquanto o garoto foi colocado numa sala ao lado. Meio assustado perguntou se só ele e o Conselheiro estavam sozinhos na sala, ao que recebeu a resposta que sim, por acaso estaria vendo mais alguém, perguntou de novo o Conselheiro? - Ele disse, não.

Foi perguntado porque ele estava causando tantos problemas, ao que imediatamente disse que os professores achavam que ele era idiota. Foi questionado se sabia o teor da palavra idiota e ele respondeu pontualmente, com detalhes, revelando conhecer profundamente o termo.

Em seguida, foi convidado a relatar o que acontecia e disse:

“A professora de matemática escreve uma equação de primeiro grau no quadro, eu olho para a questão e, sem fazer nenhuma conta no papel, porque eu não preciso, dou o resultado e isto a irrita profundamente...”.

No fundo, a mestra queria que ele fizesse a conta no papel e mostrasse o resultado como os outros alunos faziam e, às vezes com acentuada dificuldade, não era o seu caso.

Diante da rapidez da resposta correta e convicção do garoto, a professora considerava a postura dele um atrevimento, além de um desrespeito a ela, que havia se preparado exaustivamente, estudando muito.

Para testar se era verdade, o Conselheiro montou na sua frente uma equação e perguntou o resultado, qual não foi a surpresa que, só olhando, ele deu o resultado e estava corretíssimo.

Então, foi possível entender o problema... Segundo ele, professores de outras matérias agiam da mesma maneira. Novo teste foi feito perguntando se sabia ler e, em seguida, recebe um livro de filosofia pura e solicitado que abrisse numa página aleatoriamente e contasse o que estava escrito.

Foi um banho de sabedoria do garoto, leu pausadamente, respeitando as vírgulas e pontos e com uma entonação digna de um profissional acostumado a ler em público, mostrou que se tratava de alguém excepcional, com conhecimentos que iam muito além de seu tempo.

Satisfeito com isso, foi questionado se tinha mais algum problema na escola além daqueles que relatara e ele, demonstrando raiva e insatisfação, falou dos alunos ‘grandões’ da escola que se aproveitavam das crianças menores para dar-lhes fisicamente verdadeiras surras, sem que ninguém tomasse providências.

Demonstrando conhecimento sobre o assunto, disse que, para não ser mais uma vítima, convenceu sua mãe a colocá-lo no aprendizado de Judô, sua ideia era aprender defesa pessoal para não apanhar mais.

Estava praticando Judô e aprendendo a se defender quando sua mãe resolveu tira-lo da academia sob a alegação de que ele estava ficando violento, fato que o desagradou profundamente, porque ficaria sem defesa e completamente à mercê dos grandões da sala, este fato estava deixando ele sem dormir direito, contou.

Concluindo a conversa, o Conselheiro disse que tomaria todas as providências para que ele não passasse mais por tantos problemas, inclusive garantindo que ele voltaria a praticar Judô.

Solicitado que saísse da sala e convidasse sua mãe fez isso prontamente. Após, no diálogo com a mãe, foi possível alerta-la que não vinha prestando atenção no seu filho, que ele era um superdotado, daí os problemas que estava enfrentando e que era necessário dar-lhe mais atenção e, se não tivesse condições de acompanha-lo, que procurasse ajuda especializada no CRAS, órgão que sempre dispõe de profissionais qualificados.

Recebeu orientação para que o matriculasse de volta no Judô, porque era a integridade física dele que estava em jogo. Ela ouviu, concordou e se comprometeu a prestar mais atenção no seu filho querido.

Assim que ambos saíram, a diretora da escola foi contatada e orientada para que reunisse o corpo diretivo da escola e verificasse se não havia outros casos semelhantes e tomasse medidas mais adequadas, levando em conta cada caso em particular.

Passados nove meses daquele encontro, numa manhã de trabalho, o Conselheiro ouve alguém dizer seu nome e perguntar se estaria naquele momento? - O Conselheiro... está aqui? Alguém respondeu: - Está. - Posso falar com ele? - Pode!

Surge na sala, todo sorridente, o garoto e começa a contar as coisas que aconteceram neste tempo e acrescentou: - “Agora todos me respeitam, os professores, os grandões, todo mundo...”.

- O Conselheiro pergunta: O que veio fazer aqui? – O garoto responde: - Vim te agradecer, “Obrigado por ter me ajudado muito...” e o abraçou efusivamente...

É fundamental lembrar, que o garoto tinha completado sete anos de idade, sua postura, entretanto, era de alguém com muito mais idade conhecimento e maturidade...

A bem da verdade... quantos garotos e garotas, crianças mesmo, passam por privações desta ordem em instituições de ensino, porque a Cartilha utilizada pelas escolas não contempla informações adicionais para compreender seres que trazem conhecimentos e informações que estão adiante de seu tempo.

A razão de contar este episódio é uma forma de alertar o sistema educacional brasileiro sobre crianças que os espíritas chamam de índigos e cristais, que estão presentes em famílias de diferentes características e religiões e trazem uma bagagem cultural diversificada e sólida e, no entanto, encontram seres sem a devida informação e atenção para cuidar deles.

Por ignorância ou qualquer outro problema, não os acolhem e provocam os maiores incômodos. Pode ser que você viva com um ser destes ao seu lado, dentro da sua casa, em sua família ou na sua comunidade e não se deu conta disso... Preste atenção!




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